sento na varanda
no fim do dia
albergo crianças famintas
que engolem a tarde
fecundo uma pose inútil
aguardo a noite inútil
com meus inúteis vícios
urubu-rei me avisa
de cima do arranha-céu
- que a escuridão te espera!
- que ela vem te buscar!
eu não arrumei minhas malas
não enterrei meus tesouros
mas as roupas já pouco me servem
e guardo pedras de peso sem brilho
e mesmo assim, mesmo assim!
ela vem me roubar
o gato negro
circunda atento meu corpo
pede carícias
murmura que estamos vivos
que a madrugada é um abraço frio
mas pede pelo meu beijo
ela vem com a brisa
anjo de poucas palavras
cortesã das horas
consulesa do Hades
perfumada de Vênus
no úmido sereno
- que ela vai te matar!
sim, ela vai te matar!
num denso vapor de vinho
na sombra da sua alcova
ela vai te matar de amor
e vamos devorar cada um
dos teus segredos!
quarta-feira
segunda-feira
café da manhã
enquanto como, bebo
penso que há
tantos vícios-enguiços
que habitam
a vida habitual
(esse grande vício)
ah, o vício!
a prova
da virtuosidade
do hábito
e quando nada
mais já nos estranha
não só a
carne, mas o verbo
e o pão
nosso de cada dia
perdem o viço
muita coisa habita ess'ampulheta.
a revolta espiando
esse fluxo.
hinferências
empatizo quando in-vejo
transo-unto se me cruza
espanto com a res-posta
mais ainda no entre-tanto
com-tudo e com-posto
sendo ali um piro-técnico
num emprego in-formal
derretendo algumas formas
transo-unto se me cruza
espanto com a res-posta
mais ainda no entre-tanto
com-tudo e com-posto
sendo ali um piro-técnico
num emprego in-formal
derretendo algumas formas
domingo
brevípede
ser inteiro
pra que as flores cresçam
onde a força da chuva
desejar
pra que a histérica ironia
do calendário grosseiro
desmanche sua força
na orla ensolarada
dos momentos
ser inteiro
no digerir meteórico
desse azeite tóxico
dessa tigela de pus
ver a criança que brinca
esfola os joelhos
quebra vidraças
que tem a língua solta
e puxa o rabo
dos estranhos predicados
ver a cidade correr
gemer no asfalto
numa ambulância só...
no antigo gozo uterino
dessas crônicas
renascer, querendo mamar
se há luz
observar atento
o caminhar das cores
se há sombra
descrever o escuro
a malha da blusa
a caixa de fósforos
que toda forma desnuda
é surda e é muda
e dorme indiferente
exausta e serena
que o breve morde, mas beija
que a fruta brota bruta
é febre que inflama e luta
cozinhando no sol
das estações quentes
e frias
pra que as flores cresçam
onde a força da chuva
desejar
pra que a histérica ironia
do calendário grosseiro
desmanche sua força
na orla ensolarada
dos momentos
ser inteiro
no digerir meteórico
desse azeite tóxico
dessa tigela de pus
ver a criança que brinca
esfola os joelhos
quebra vidraças
que tem a língua solta
e puxa o rabo
dos estranhos predicados
ver a cidade correr
gemer no asfalto
numa ambulância só...
no antigo gozo uterino
dessas crônicas
renascer, querendo mamar
se há luz
observar atento
o caminhar das cores
se há sombra
descrever o escuro
a malha da blusa
a caixa de fósforos
que toda forma desnuda
é surda e é muda
e dorme indiferente
exausta e serena
que o breve morde, mas beija
que a fruta brota bruta
é febre que inflama e luta
cozinhando no sol
das estações quentes
e frias
quinta-feira
pela rua
ah, antes fosse fulana
uma guimba
uma pena de pardal
buzina de carro
granito de asfalto
uma nota fiscal
da padaria
(mas agora, fulana é!)
(Ah, se fulana
dormitasse nos meus ombros
e, distraída, caísse
enquanto corro no vento
com todo seu peso
de estrela morta.
Que sua polpa azedasse
e tombasse na relva,
rolasse à poeira
como chapéu surrado.
Não! Que aos pouquinhos
fosse amarelando
e serenamente pousasse
como folha de outono.)
o mendigo me pede moedinha
(seria mal de amor?)
no bar me interpelam:
(sempre a mesma empunhada)
- Hoje veio de táxi?
- A pé, Gigante.
- Você sócaminha.
cúmplices do absurdo,
(no fundo, nada absurdo)
sorrimos.
uma guimba
uma pena de pardal
buzina de carro
granito de asfalto
uma nota fiscal
da padaria
(mas agora, fulana é!)
(Ah, se fulana
dormitasse nos meus ombros
e, distraída, caísse
enquanto corro no vento
com todo seu peso
de estrela morta.
Que sua polpa azedasse
e tombasse na relva,
rolasse à poeira
como chapéu surrado.
Não! Que aos pouquinhos
fosse amarelando
e serenamente pousasse
como folha de outono.)
o mendigo me pede moedinha
(seria mal de amor?)
no bar me interpelam:
(sempre a mesma empunhada)
- Hoje veio de táxi?
- A pé, Gigante.
- Você sócaminha.
cúmplices do absurdo,
(no fundo, nada absurdo)
sorrimos.
sexta-feira
segunda-feira
dia a dia
resta um exílio hediondo
que eu transpiro e que tantos
transpiram também
resta uma triste pintura
dessa obscena dentadura
que não poupa ninguém
e nosso sorriso
desbota num canto
de notas sem vida
(afora isso, em meu quarto
restam brincos e odores
de um bem-querer que partiu)
que mandem notícias
daqueles passantes
que não sucumbiram
(e se muito não for
que mandem notícias
daquela menina)
que eu transpiro e que tantos
transpiram também
resta uma triste pintura
dessa obscena dentadura
que não poupa ninguém
e nosso sorriso
desbota num canto
de notas sem vida
(afora isso, em meu quarto
restam brincos e odores
de um bem-querer que partiu)
que mandem notícias
daqueles passantes
que não sucumbiram
(e se muito não for
que mandem notícias
daquela menina)
quinta-feira
visitansias
como é incendiária
a fumaça que sai
da usina de papéis...
o sol verte implacável
e não há um grão de sombra
e o vento até ruge
mas foge entre rumos vicinais
no fluxo indolente das ruas
nadar, nadar
afogando silenciosamente
o incesto cínico das frases
e a violência de amar
a fumaça que sai
da usina de papéis...
o sol verte implacável
e não há um grão de sombra
e o vento até ruge
mas foge entre rumos vicinais
no fluxo indolente das ruas
nadar, nadar
afogando silenciosamente
o incesto cínico das frases
e a violência de amar
procurem a estrela da manhã
Carina, tristeza em flor
esculpida no vento da primavera
ignora gritos de amor
mas tem os ouvidos de fera
Carina, relicário de dores
na fuligem dos bares
gatuna de amores
tristeza e pesares
Carina, de unhas arteiras
pétalas rubras
em bocas alheias
E Carina esmola perdida...
recolhe em seu pote
quixotes de alma ferida
esculpida no vento da primavera
ignora gritos de amor
mas tem os ouvidos de fera
Carina, relicário de dores
na fuligem dos bares
gatuna de amores
tristeza e pesares
Carina, de unhas arteiras
pétalas rubras
em bocas alheias
E Carina esmola perdida...
recolhe em seu pote
quixotes de alma ferida
quarta-feira
onde está a estrela da manhã?
Carina pouco fala
por quem fala mente
assim Carina escala
seu sonho indecente
Carina é filha da fome
dorme no chão de angústias
numa cidade sem nome:
vagão de preços e astúcias
Carina, cabelos ensebados
sapatos bordados
nas ruas da cidade
Carina não tem calendário
e de tanto que sente
vai esgotando ao contrário
por quem fala mente
assim Carina escala
seu sonho indecente
Carina é filha da fome
dorme no chão de angústias
numa cidade sem nome:
vagão de preços e astúcias
Carina, cabelos ensebados
sapatos bordados
nas ruas da cidade
Carina não tem calendário
e de tanto que sente
vai esgotando ao contrário
quinta-feira
eu quero a estrela da manhã
Carina, de pé quebrado dança
sobre as cabeças em fila
rasga conselhos de Sancho Panza
e pronúncias de Pancho Villa
varre o sangue das calçadas
quando o sol vem acordar
mas é santa desastrada
dessas que não podem amar
Carina é doce como só
olhos de brilho discreto
profundos de darem nó
Carina é fresca e matutina
mas sabe chorar e caminha
entre a vida severina
sobre as cabeças em fila
rasga conselhos de Sancho Panza
e pronúncias de Pancho Villa
varre o sangue das calçadas
quando o sol vem acordar
mas é santa desastrada
dessas que não podem amar
Carina é doce como só
olhos de brilho discreto
profundos de darem nó
Carina é fresca e matutina
mas sabe chorar e caminha
entre a vida severina
domingo
Vento Norte
Era o vento me soprando folhas
folheando minhas sombras
trazendo o cheiro das matas
e o apito distante
da locomotiva
chuta a poeira
em meus olhos
e os contratos caem dos bolsos
bergamotas racham ao chão
e os cigarros queimam com fúria
e telhados uivam em coro
e pinheiros dobram em fila
e cabelos dançam em transe
pássaros homens e cães
as calçadas chiam baixinho
sinto o sopro varrendo meus pêlos
arrancando minhas raízes
despertando uma ânsia de partir
e ser o próprio vento
folheando minhas sombras
trazendo o cheiro das matas
e o apito distante
da locomotiva
chuta a poeira
em meus olhos
e os contratos caem dos bolsos
bergamotas racham ao chão
e os cigarros queimam com fúria
e telhados uivam em coro
e pinheiros dobram em fila
e cabelos dançam em transe
pássaros homens e cães
as calçadas chiam baixinho
sinto o sopro varrendo meus pêlos
arrancando minhas raízes
despertando uma ânsia de partir
e ser o próprio vento
sexta-feira
Léxicos na avenida central
feriados de festim
carnaval de farmácias
teatro do sono
beijo supersônico
jornais higiênicos
escadas rolantes
refrões injetáveis
artistas do medo
pintores nas ruas
andaimes no céu:
mentiras canônicas.
carnaval de farmácias
teatro do sono
beijo supersônico
jornais higiênicos
escadas rolantes
refrões injetáveis
artistas do medo
pintores nas ruas
andaimes no céu:
mentiras canônicas.
Punk Pimba Pumba
eu canso, ataco
ensaio meu canto
eu xingo, eu minto
enxoto meus santos
abuso, abafo
afobo meu uso
eu leio, assisto
assusto meus olhos
remendos, reparos
adornam meus medos
ensaio meu canto
eu xingo, eu minto
enxoto meus santos
abuso, abafo
afobo meu uso
eu leio, assisto
assusto meus olhos
remendos, reparos
adornam meus medos
sábado
gols e goles
viver, trocar de vícios
acomodar as comportas
engaiolar e soltar cantos
perder e achar os verbos
pensar grave e subir
sumir da gravidade
e de lá escorregar
em franca vertigem
sofrer no dia
do futebol
protestar em desvios
arbitrários
comer o pão
que a cidade amassou
(e ai de quem não usa
sentir dessa fome)
enquanto isso a rua
o jornal, a medicina
e o meu coração
palpitam
acomodar as comportas
engaiolar e soltar cantos
perder e achar os verbos
pensar grave e subir
sumir da gravidade
e de lá escorregar
em franca vertigem
sofrer no dia
do futebol
protestar em desvios
arbitrários
comer o pão
que a cidade amassou
(e ai de quem não usa
sentir dessa fome)
enquanto isso a rua
o jornal, a medicina
e o meu coração
palpitam
domingo
operário amargo
muitas palavras
carcomidas, penduradas
em línguas aceboladas
ainda há, contudo
um arroz e feijão
nessa amarga panela
mas morcegos
roubam
tuas sementes
e teus sonhos
chupam todo
teu açúcar
a sopa de letrinhas
não cura
tua bebedeira
e a tua fibra
fibrila
sob o sol
carcomidas, penduradas
em línguas aceboladas
ainda há, contudo
um arroz e feijão
nessa amarga panela
mas morcegos
roubam
tuas sementes
e teus sonhos
chupam todo
teu açúcar
a sopa de letrinhas
não cura
tua bebedeira
e a tua fibra
fibrila
sob o sol
quarta-feira
Marchinha
mamãe eu quero
um riso anônimo
e anômalo
mamãe eu quero
a bossa
da quarta-feira
mamãe eu quero
a lírica
acinturada
mas também quero
vagar
pelos sinais
um riso anônimo
e anômalo
mamãe eu quero
a bossa
da quarta-feira
mamãe eu quero
a lírica
acinturada
mas também quero
vagar
pelos sinais
sexta-feira
O verão das cigarras
debruçada no vento
a tarde sopra
o sono do céu
trafega a infância
entre as figueiras
e cigarras
o mundo é um domingo
e as pipas oscilam
manhosas
o verão das verdades
viúvas e velhas
como vento
a tarde sopra
o sono do céu
trafega a infância
entre as figueiras
e cigarras
o mundo é um domingo
e as pipas oscilam
manhosas
o verão das verdades
viúvas e velhas
como vento
quinta-feira
Olhando pro mar
mesmo que o sol
amoleça meus dias
e que o vento seque
e lamba meu sal
e que as águas engulam
os heróis de areia
estarei em segredo
fiel, ao teu lado
olhando pro mar
amoleça meus dias
e que o vento seque
e lamba meu sal
e que as águas engulam
os heróis de areia
estarei em segredo
fiel, ao teu lado
olhando pro mar
terça-feira
corre-corre
corre a mãe indignada
com o choro
da criança
corre o homem de gravata
cuidando saias
e semáforos
corre a carroça velha
(cavalo e carroceiro:
dois suspiros franzinos)
corre a ambulância
pra alcançar a vida
sem fôlego
e o louco esfomeado
almoça sem digerir
a proteína das horas
sobram plátanos e pombos
pelas praças
hipertensas
sobram mendigos e cães
nas sobras de ar
condicionado
com o choro
da criança
corre o homem de gravata
cuidando saias
e semáforos
corre a carroça velha
(cavalo e carroceiro:
dois suspiros franzinos)
corre a ambulância
pra alcançar a vida
sem fôlego
e o louco esfomeado
almoça sem digerir
a proteína das horas
sobram plátanos e pombos
pelas praças
hipertensas
sobram mendigos e cães
nas sobras de ar
condicionado
Bebo por vocês
os poemas
são pomares
entre mapas
ou perfumes
range rimas
finca ritmos
nunca tendo
algoritmos
os poetas
bem podados
plantam palcos
tão poéticos!
brinco bobo
saboreio
babo e bebo
por vocês
são pomares
entre mapas
ou perfumes
range rimas
finca ritmos
nunca tendo
algoritmos
os poetas
bem podados
plantam palcos
tão poéticos!
brinco bobo
saboreio
babo e bebo
por vocês
quinta-feira
Quando ela bate na porta
quando ela bate na porta
eu saboreio um caso
de alegre-indigente
do tempo da gente
quando ela bate na porta
não há tempo pra ensaios
mas quero matar os meus ratos
e lavar minhas xícaras
quando ela bate na porta
enguiça minha mecânica
atiça uma angústia
acústica
quando ela bate na porta
eu não sei se é ela
eu não sei se é tarde
mas eu sempre amanheço
eu saboreio um caso
de alegre-indigente
do tempo da gente
quando ela bate na porta
não há tempo pra ensaios
mas quero matar os meus ratos
e lavar minhas xícaras
quando ela bate na porta
enguiça minha mecânica
atiça uma angústia
acústica
quando ela bate na porta
eu não sei se é ela
eu não sei se é tarde
mas eu sempre amanheço
quarta-feira
Vem a manhã
vem a manhã com seus canários
e suas latas de tinta
despertar entre o concreto
um cheiro de café e hortelã
vem a manhã de fúria e pressa
sacudir nossos lençóis
aquecer os cães que ladram
(sempre atrás dos portões)
vem a manhã com seus conselhos
costurar malhas elétricas
e mover nossas artérias
por impulsos binários
vem a manhã com suas promessas
cobrar algumas dívidas
e empilhar nas calçadas
suas caixas de presente
vem a manhã com seus motores
e sua cantiga pneumática
abrir nosso comércio
de sonhos e obrigações
vem a manhã maquilada
(novo e maquinal aniversário)
e há mais velas derretendo aço
(ladras do cansaço de amanhã)
e suas latas de tinta
despertar entre o concreto
um cheiro de café e hortelã
vem a manhã de fúria e pressa
sacudir nossos lençóis
aquecer os cães que ladram
(sempre atrás dos portões)
vem a manhã com seus conselhos
costurar malhas elétricas
e mover nossas artérias
por impulsos binários
vem a manhã com suas promessas
cobrar algumas dívidas
e empilhar nas calçadas
suas caixas de presente
vem a manhã com seus motores
e sua cantiga pneumática
abrir nosso comércio
de sonhos e obrigações
vem a manhã maquilada
(novo e maquinal aniversário)
e há mais velas derretendo aço
(ladras do cansaço de amanhã)
domingo
Chuvinha de fim de tarde
chuvinha de fim de tarde
realça qualquer encanto
sopra um beijo úmido
nos poros abertos da cidade
as gotas vagueiam tranquilas
condensam os trajes urbanos
descortinando as formas e cores
de todas as folhas, bustos e flores
enquanto o céu murmura
pés quentes e lascivos
brincam na lama macia
melando os dedos e unhas
(e por saltitar distraída
fica o respingo das poças
nas pernas brancas
da menina)
o vapor fresco das ervas
vai ungindo pulmões fatigados
engolindo os corpos febris
de fim de tarde...
realça qualquer encanto
sopra um beijo úmido
nos poros abertos da cidade
as gotas vagueiam tranquilas
condensam os trajes urbanos
descortinando as formas e cores
de todas as folhas, bustos e flores
enquanto o céu murmura
pés quentes e lascivos
brincam na lama macia
melando os dedos e unhas
(e por saltitar distraída
fica o respingo das poças
nas pernas brancas
da menina)
o vapor fresco das ervas
vai ungindo pulmões fatigados
engolindo os corpos febris
de fim de tarde...
quinta-feira
Acordeon
toca acordes acordeon
acorda as cordas do corpo
açoita as traças as travas e as trancas
dos vagos traçados de vida
descoberta desencarde desencrava as dores
azula acende alisa as desilusões
apresenta presume prelúdios da paixão
os queixumes os choros os corais das crenças
alegra grita, traga gracejos e gargalhadas
goza agridoce em larga graça
gorgoleja agrava vaga
chama-me em chamamés
melindroso nas densas líricas milongas
melancólico colérico calamitoso calmoso
afaga afugenta trafega em teus foles
a fala morna ou fria, forte ou faminta
as flamas ou mofos das almas
acorda as cordas do corpo
açoita as traças as travas e as trancas
dos vagos traçados de vida
descoberta desencarde desencrava as dores
azula acende alisa as desilusões
apresenta presume prelúdios da paixão
os queixumes os choros os corais das crenças
alegra grita, traga gracejos e gargalhadas
goza agridoce em larga graça
gorgoleja agrava vaga
chama-me em chamamés
melindroso nas densas líricas milongas
melancólico colérico calamitoso calmoso
afaga afugenta trafega em teus foles
a fala morna ou fria, forte ou faminta
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